sábado, 9 de abril de 2016

O Real de Zidane

Ao assumir o comando técnico do Real Madrid, Zinedine Zidane pôs em risco a sua história como grande ídolo do clube.

Sempre que um ídolo assume tal cargo, ele carrega o peso de repetir como técnico aquilo que fora como jogador.

Ainda é cedo para tomar qualquer conclusão do que ele é como técnico, mas, este fim de temporada mostra um Real em ascensão, e muito melhor de se ver, do que aquele de Benitez, que angustiava quem o via jogar.


A principal mudança foi o sistema de jogo. Sai o 4-2-3-1 de Benitez, entra o 4-3-3.
Com a chegada do novo sistema, a equipe ganhou novas características. Se adapta facilmente ao adversário, muda constantemente de posição, deu liberdade para os meio campistas serem mais criativos, e ganhou uma peça que deu consistência demais para a equipe: Casemiro.

Antes de falar do brasileiro, vamos começar pela defesa.

Keylor Navas, continua absoluto na posição, e vem fazendo grande temporada, calou os que o criticavam sem nem jogar. Mostrou que De Gea era desnecessário.

A lateral direita tem Danilo como mais ofensivo e Carvajal em jogos que se precisa de um lateral que guarde a posição, foi assim no El Clásico.

Varane machucado saiu, mas Pepe já não compromete tanto como no fim do ano passado. Ao lado dele, o capitão continua sendo um dos melhores zagueiros do mundo.

Na esquerda, Marcelo faz bela temporada (novamente), e se não for por lesão, joga todas.

O volante. Aqui está a peça que fez o Real pensar novamente em conquistar Liga dos Campeões e a liga das estrelas. Casemiro é hoje o melhor volante brasileiro, principalmente na função de "primeiro volante", aquele que recebe a bola dos zagueiros ou do goleiro, e tem a capacidade de fazer a bola chegar redondinha para Kroos e Modric armarem.

Com Zidane estes dois tiveram muito mais liberdade, puderam ser aqueles meio campistas que armavam de trás e chegavam com liberdade e qualidade à frente. Principalmente o croata, que passou a infiltrar bem mais, e aproveitar os seus remates de fora da área. Toni Kroos segue armando todas as jogadas e cadenciando os merengues, porém, a presença de Casemiro o fez chegar com mais frequência a área adversária, isso foi mostrado no gol de Benzema contra o Barcelona, que dá a assistência é o alemão.

O trio BBC voltou a funcionar, e enfim, quando Ronaldo passou a ter a companhia dos outros dois ao mesmo tempo, se entenderam. Muita mudança de posição, velocidade e marcação.

Isso mesmo, marcação. 

Diferente do início da temporada, este Real mostra qualidade e boas opções de jogadas. O 4-3-3 facilita a formação de triângulos, oferecendo pelo menos duas linhas de passe para que tem a bola, e este é um conceito barcelonista que Zidane tenta implantar no time da capital. Aproximação de linhas, infiltrações, trocas de posição, transição defensiva mais eficiente, transição ofensiva mais rápida, jogo de posição mais qualificado.

Zidane se preparou para assumir o Real Madrid, e ainda bem que vem demonstrando isso. Logicamente que derrotas virão no meio do caminho (Wolfsburg), mas a sequência mostrará que ele será sim um bom técnico. 

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