Linha de 4
Blog sobre sistemas táticos das principais equipes do futebol (brasileiro, mundial, pernambucano)
quinta-feira, 14 de abril de 2016
Os 4!
Esta semana faremos um especial tático. Nele vamos detalhar os sistemas usados pelos 4 semifinalistas nas partidas decisivas da UEFA Campions League.
segunda-feira, 11 de abril de 2016
Titular ou reserva, Corinthians mantém padrão
Desde o ano passado, quando voltou a treinar uma equipe após seu período sabático, Tite implantou no Corinthians um sistema até então inédito no clube, o 4-1-4-1.
Conhecendo a maioria dos jogadores, o técnico já chegou no primeiro dia de pré-temporada sabendo o que cada um faria no novo esquema.
E apesar de algumas perdas no meio do ano, o técnico conseguiu transformar aquele time no melhor do país, e ganhar com sobras o Brasileirão.
Para esse ano, 6 saídas de peso, o elenco enfraqueceu bastante, principalmente com as saídas de Jadson e Renato Augusto, os dois melhores daquela campanha.
Muita coisa mudou desde então, menos o 4-1-4-1.
A defesa continua sólida e é ela quem começa as jogadas. Principalmente com a saída pelo lado direito com Fagner, é ele a principal arma para sair jogando quando o adversário avança a marcação.
O time de Tite cria triângulos em todos os setores, para oferecer pelo menos duas opções de passe para quem tem a bola.
Uendel pelo lado esquerdo também dá boas opções quando vai ao ataque, principalmente quando entra em diagonal, diferente de Fagner que busca mais o fundo.
Pelo meio, Bruno Henrique qualifica a saída de bola, desarma bem (muito menos que Ralf, diga-se) e tem boa chegada do ataque, com chutes de média distância e passes em profundidade.
A segunda linha de 4, pela direita tem Giovanni Augusto, que é o "Jadson" de 2016, mas com características diferentes. Ele arma bem pelo lado, infiltra, centraliza às costas dos volantes para armar, e ainda carrega bem a bola.
Ao seu lado tem Elias, que no Brasil é quem melhor faz o "volante moderno", como muitos falam na imprensa. Aquele que marca, arma e chega ao ataque. Por característica própria, o camisa 7 infiltra como nenhum nas defesas e contribui com gols e assistências.
O outro meia mais centralizado é Guilherme. Pouco habituado ao setor, ele tem encontrado dificuldades para jogar no setor que era de Renato Augusto. Ele funciona melhor jogando mais próximo ao atacante, porém, Tite tem insistido nele e conta com a evolução. Por performance, Rodriguinho foi quem melhor jogou atuando desta forma, buscando a bola desde os zagueiros, criando e finalizando as jogadas.
Pela esquerda, o jovem Lucca tem sido uma ótima opção para arrancar com a bola e chegar em diagonal para finalizar. É um dos melhores jogadores do time e se resolver os problemas com a direção, deve manter a posição.
Na frente, André é quem mais tem atuado como centroavante. Mostra vontade, raça, mas qualidade técnica tem faltado um pouco ao camisa 9. Luciano vem entrando, jogando bem, mas ainda faltam os gols para ganhar a vaga.
Fato é que o Corinthians tem uma maneira definida de atuar, um padrão. E este padrão se mantém, mesmo com a mudança constante de nomes, de peças.
Este fato podem atribuir ao comandante, que não à toa, é pedido por tantos no comando da seleção.
Como o timbu parou o Carcará
Líder do hexagonal final do Campeonato Pernambucano 2016, o Náutico foi o único time deste campeonato a vencer o Salgueiro. Não uma, mas duas vezes.
Apenas ele e o Campinense (duas vezes), conseguiram ganhar do time sertanejo lá no Cornélio de Barros. E algumas escolhas táticas de Gilmar Dal Pozzo ajudam a entender o motivo desta vitória.
O Timbu foi a campo no sistema 4-2-3-1, com Rafael Pereira e Eller na zaga, Joazi e Gastón nas laterais. Por característica, o lateral direito apoiou um pouco mais, e o esquerdo guardou mais posição e foi um dos destaques do time. Por questões táticas, Gastón fica a frente de Henrique, porque defende melhor e expõe menos Fabiano Eller.
No meio, a dupla de volantes foi Ygor e Rodrigo Souza, em tese para dar mais liberdade a Rodrigo Souza, que tem se caracterizado com um volante moderno, que marca muito e arma o time por trás, com muita qualidade. No jogo de ontem, não foi visto muito disso com o melhor volante do campeonato, mas a expectativa do técnico é que ele possa contribuir para o time nesta função, assim como fazia na presença de Niel.
A armação mais uma vez foi de Renan Oliveira. Mais uma vez o meia se apresentou bem, dando muita qualidade nas enfiadas de bola e chegada dentro da área. Isso foi visto no primeiro gol do timba.
Pelos lados, Rony e Gil Mineiro. O primeiro com sua característica principal, que é arrancar com a bola em velocidade, e ser a principal válvula de escape do time, é um jogador muito necessário nesse esquema de Dal Pozzo.
Pelo outro lado, Gil Mineiro, é um jogador rápido, mas limitado tecnicamente, apesar da boa partida que fez ontem, principalmente limitando as subidas do lateral esquerdo do Carcará.
Na frente, um Thiago Santana um pouco diferente. Mais móvel, o centroavante se movimentou bem e fez talvez a melhor partida dele com a camisa do Náutico, apesar de ser também limitado, foi difícil de ser marcado.
Desde o início do campeonato, o time alterna o sistema na hora de atacar e marcar. Como já foi falado, ataca no 4-2-3-1; e na hora de defender, forma duas linhas de 4, e mais dois a frente.
A primeira linha é formada pelos 4 defensores, e a segunda com os 2 volantes e os 2 "pontas", que recuam e forma esta linha. Mais a frente o centro avante e o meia central.
Com este sistema, o Náutico teve a melhor defesa do campeonato e ofereceu muita dificuldade a todos os rivais que enfrentou.
Muita compactação, intensidade e coberturas, o time de Dal Pozzo foi o melhor e mais eficiente desta primeira fase do estadual, agora a expectativa da torcida, diretoria e jogadores é manter a pegada e encerrar o jejum de títulos.
domingo, 10 de abril de 2016
Leicester, um genuíno time inglês
Virtual campeão inglês, precisando de 9 pontos 5 jogos para ser campeão e não depender de ninguém, os Foxes surpreenderam o mundo ao jogar uma espetacular temporada, num sistema muito conhecido na Inglaterra.
Com um 4-4-2, defendendo e atacando, o time de Cláudio Ranieri compacta linhas e é vertical demais.
Não gosta muito da posse de bola, apenas duas partidas na temporada teve mais posse de bola que seu adversário.
Não é um time que encanta pela troca de passes, ou pela qualidade técnica.
Busca retomar a bola e sair em velocidade, seja pela direita com Mahrez (melhor jogador da PL), ou pelo centro com Vardy.
Esta verticalidade foi exposta mais uma vez na partida de hoje, contra o Sunderland. No primeiro gol, Drinkwhater roubou a bola e deu um lançamento perfeito para o artilheiro do time, Vardy, dar apenas dois toques na bola e fez o gol.
Ranieri sabe desde o início da temporada, as limitações e possibilidades deste time.
Por isso, compactou as linhas, organizou sua equipe para ter uma transição ofensiva muito rápida, poucos toques na bola para chegar ao gol adversário. Deu liberdade para Kanté roubar bolas e chegar a frente, assim como seu companheiro de volância, o Drinkwhater, que arma o time por trás e é responsável pelas bolas longas.
Pelas beiradas, dois wingers bem distintos, um recompõe muito bem (Albrighton), e chega a linha de fundo. O outro arma, finaliza, recompõe e é a principal válvula de escape do líder do inglês. Mahrez por vezes centraliza, para buscar enfiadas de bola e o espaço entre os zagueiros e volantes adversários.
Na frente dois atacantes chatos. Um recua mais para ajudar na marcação no meio campo, o japonês Okazaki se mata em campo e é aquilo tipo de jogador que todo técnico gosta de ter no elenco. Vardy é o matador, toda bola que chega, ele tenta terminar a jogada o mais rápido possível, com passe ou finalização.
Campeão ou não, o treinador italiano devolveu a Inglaterra um time genuinamente inglês, não pela nacionalidade dos jogadores, mas pela maneira de jogar.
O sistema predileto dos ingleses mostrou-se eficaz novamente e é ele quem deverá fazer esse Leicester campeão inglês.
sábado, 9 de abril de 2016
O Real de Zidane
Ao assumir o comando técnico do Real Madrid, Zinedine Zidane pôs em risco a sua história como grande ídolo do clube.
Sempre que um ídolo assume tal cargo, ele carrega o peso de repetir como técnico aquilo que fora como jogador.
Ainda é cedo para tomar qualquer conclusão do que ele é como técnico, mas, este fim de temporada mostra um Real em ascensão, e muito melhor de se ver, do que aquele de Benitez, que angustiava quem o via jogar.
A principal mudança foi o sistema de jogo. Sai o 4-2-3-1 de Benitez, entra o 4-3-3.
Com a chegada do novo sistema, a equipe ganhou novas características. Se adapta facilmente ao adversário, muda constantemente de posição, deu liberdade para os meio campistas serem mais criativos, e ganhou uma peça que deu consistência demais para a equipe: Casemiro.
Antes de falar do brasileiro, vamos começar pela defesa.
Keylor Navas, continua absoluto na posição, e vem fazendo grande temporada, calou os que o criticavam sem nem jogar. Mostrou que De Gea era desnecessário.
A lateral direita tem Danilo como mais ofensivo e Carvajal em jogos que se precisa de um lateral que guarde a posição, foi assim no El Clásico.
Varane machucado saiu, mas Pepe já não compromete tanto como no fim do ano passado. Ao lado dele, o capitão continua sendo um dos melhores zagueiros do mundo.
Na esquerda, Marcelo faz bela temporada (novamente), e se não for por lesão, joga todas.
O volante. Aqui está a peça que fez o Real pensar novamente em conquistar Liga dos Campeões e a liga das estrelas. Casemiro é hoje o melhor volante brasileiro, principalmente na função de "primeiro volante", aquele que recebe a bola dos zagueiros ou do goleiro, e tem a capacidade de fazer a bola chegar redondinha para Kroos e Modric armarem.
Com Zidane estes dois tiveram muito mais liberdade, puderam ser aqueles meio campistas que armavam de trás e chegavam com liberdade e qualidade à frente. Principalmente o croata, que passou a infiltrar bem mais, e aproveitar os seus remates de fora da área. Toni Kroos segue armando todas as jogadas e cadenciando os merengues, porém, a presença de Casemiro o fez chegar com mais frequência a área adversária, isso foi mostrado no gol de Benzema contra o Barcelona, que dá a assistência é o alemão.
O trio BBC voltou a funcionar, e enfim, quando Ronaldo passou a ter a companhia dos outros dois ao mesmo tempo, se entenderam. Muita mudança de posição, velocidade e marcação.
Isso mesmo, marcação.
Diferente do início da temporada, este Real mostra qualidade e boas opções de jogadas. O 4-3-3 facilita a formação de triângulos, oferecendo pelo menos duas linhas de passe para que tem a bola, e este é um conceito barcelonista que Zidane tenta implantar no time da capital. Aproximação de linhas, infiltrações, trocas de posição, transição defensiva mais eficiente, transição ofensiva mais rápida, jogo de posição mais qualificado.
Zidane se preparou para assumir o Real Madrid, e ainda bem que vem demonstrando isso. Logicamente que derrotas virão no meio do caminho (Wolfsburg), mas a sequência mostrará que ele será sim um bom técnico.
domingo, 2 de junho de 2013
Desenho tático de Brasil e Inglaterra.
Na reestreia do Maracanã o Brasil mostrou uma formação parecida com a que Mano Menezes entregou a Felipão, o já habitual 4-2-3-1, só com algumas ressalvas, a presença do centroavante e a troca de posicionamento nos três meias. Neymar foi para o meio, Hulk caiu para a esquerda e Oscar para a direita.
O meia do Chelsea por sinal, formou uma boa dupla pela direita com Daniel Alves, no primeiro tempo principalmente. Neymar se movimentou muito bem, caindo pelos lados do campo, algumas vezes até armando as jogadas, e assim pode desenvolver vários dribles e algumas finalizações. As investidas dos volantes foram comedidas, já que nenhum dos dois tinha total liberdade para sair, se alternavam, mas, nenhum dos dois se destacou. Os laterias foram bem, sem comprometer, e zaga como sempre, bem.
Já os ingleses jogaram no esquema de lei, 4-4-2 deles, duas linhas de 4 e os dois atacantes mais a frente. Bem postado defensivamente, fez o Brasil ter que rodar a bola bastante, mas, ficou muito atrás, não assustou em nenhum momento Júlio César.
No segundo tempo a Inglaterra teve que sair mais depois do gol de Fred, aproveitando o rebote de um chutaço de Hernanes, que mais uma vez foi bom ao entrar. A seleção que estava perdendo o meio-campo, apostou em um losango "italiano" e deu certo, melhorou, e voltou a dominar a partida, porém, a Inglaterra já havia virado o jogo, teve que contar com a presença artilheira de Paulinho.
Lições do jogo: Sabemos enfim que temos uma seleção que está voltando a ganhar cara, sabemos agora que ao olhar pro banco, Felipão vai ter ótimas opções de mudar o jogo, de acordo com o adversário, ou até a forma da equipe jogar.
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